quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Adam & Eve - Capítulo 6


Alex e Helena ficaram os olhando de longe.

– Ai, que fofo! Nossa, que beijo é esse?! Por que você nunca me beijou assim? – Disse ela sarcasticamente.

– Bom, nós nunca ficamos tanto tempo sem nos ver, também nunca tivemos nada que impedisse o nosso namoro e... – disse ele sem perceber o tom de sarcasmo dela.

– Alex, era brincadeira. – Ela sorriu.

O beijo ficou mais lento, Adam abraçou Eve e disse:

– Eu nunca mais quero ficar longe de você.

– Desculpe por não ter aceitado naquele dia, eu fui tola...

– Não precisa se desculpar, você precisava pensar. Eu é que devia me desculpar por não aceitar a sua decisão e vir aqui tentar mudá-la.

– Não precisa também, eu pretendia ir a sua casa depois da escola. – Ela disse com um sorriso. Adam sorriu também. Eles ficaram se olhando durante alguns segundos, então Adam disse:

– Eu quero te mostrar uma coisa no parque.

– O que?

– É uma surpresa – ele disse sorrindo.

Ela acenou para Alex e Helena. Adam se ofereceu para carregar a mochila de Eve, mas ela recusou, não estava tão pesada. Ele pôs o braço envolta dos ombros dela e foram andando até o parque. Eve perguntava o que ele queria mostrá-la, mas ele não contou, não quis estragar a surpresa.

Ao chegarem lá, Eve se lembrou de sua infância, da época em que sua mãe não havia partido. Hoje haviam poucas crianças brincando no parque. Adam estava a levando em direção às árvores. Ao chegarem próximo a uma delas, Eve viu o desenho de um coração com as letras A e E dentro.

– Sabe, esse parque é conhecido pelos casais desenharem isso nas árvores. – Adam tinha um leve sorriso no rosto.

– Que bonitinho. – Ela sorriu. – Não sabia que você fazia esse tipo.

– Eu também não sabia, mas me empolguei na segunda-feira, antes de falar com você.

Eve se lembrou daquele dia horrível e olhou para baixo pensativa, mas Adam a convidou para sentar-se próximo a árvore “deles” e ela se sentou encostada nela.

– Então, o que fez você mudar de opinião? – Perguntou ele.

– Essa noite eu tive um sonho, – ela contou o sonho exatamente para ele. – Esse sonho foi tão real, eu fiquei com medo, não queria perder você. Percebi que o que eu tinha feito não era bom para nenhum de nós. – Ela fez uma pausa. – Ai, não dá para eu ficar encostada nessa árvore.

– Por quê? – Ele perguntou preocupado.

– Eu me machuquei na macieira quando nos beijamos na escola. – Ela pôs uma das mãos nas costas e tentou sorrir.

– Desculpe, eu não... Espera, tive uma ideia.

Ele sentou-se de costas para a árvore e pediu que Eve se deitasse no seu colo, com a cabeça apoiada no seu peito.

– E agora, melhorou? – Perguntou Adam sorrindo e mechendo no cabelo dela.

– Bem mais confortável. – Ela sorriu.

– Não está doendo muito, está?

– Um pouco, mas não vai durar muito tempo. Acredite, eu entendo de dores.

– Como assim?

– Ah... cólicas. – Respondeu ela a primeira desculpa que lhe veio a cabeça. Ele sorriu e ela ficou feliz por ele não perceber que a resposta era mentira.

– Eu não queria que o nosso namoro começasse com tanta dor. Primeiro, seu padrasto não quer que você namore e agora que estamos juntos eu te machuquei com um beijo. – Disse ele com um olhar triste e para baixo, enquanto acariciava a mão dela.

– Adam, eu já disse, vai passar. Não se preocupe, eu sei que não foi sua intenção. Pensa pelo lado bom, seria pior se você tivesse me machucado emocionalmente.

– Está bem, vou tentar não pensar mais nisso. – Ele fez uma pausa para pensar no que dizer. – Mudando de assunto, acho que você já pode me contar o por quê do seu padrasto não querer que você namore.

Ela respirou fundo e começou a contar a história que conhecia sobre sua mãe e como ela conheceu Joseph, geralmente se referindo a ele como pai.

– ...Um dia quando eu tinha oito anos, quando acordamos, ela não estava em casa. Ele ficou desesperado, mas quando chegou ao quarto encontrou uma carta e depois de lê-la me disse que ela havia ido embora com outro cara e que, provavelmente, esse cara era o meu pai biológico. Depois ele se trancou lá e eu o ouvi chingá-la com um monte de palavrões. Ele passou os dias seguintes resmungando e dizendo que ela só tinha ficado com ele durantes esses anos para que ela pudesse fugir com esse cara, sem precisar cuidar de mim.

Depois disso começaram as brigas e o alcoolismo. Ele gastou todo dinheiro em bebida e me pôs para cuidar da casa. Quando ele percebeu que não tinha mais nenhum centavo, nós passamos a sobreviver com o dinheiro que tinha num cofrinho, eu só gastava meu dinheiro em doces naquela época, então tinha bastante dinheio lá. Um pouco antes do dinheiro acabar ele conseguiu um emprego. Com o tempo e as brigas eu perdi o costume de chamá-lo de pai e passei a chamá-lo pelo nome, quando ficamos um bom tempo sem brigar eu até o chamo de pai, mas isso não acontece muito.

É por isso que ele não quer que eu namore. Não quer que eu acabe engravidando cedo. Mesmo com isso tudo eu não guardo mágoas da minha mãe, procuro lembrar dos momentos bons da minha infância. Enquanto esteve comigo ela foi uma boa mãe. – Ela terminou com um sorriso, mas tristeza nos olhos.

Adam ficou calado por um tempo, estava pensando em como dizer o que pensava.

– Nossa, nunca imaginei que a sua vida fosse assim. Então como você contou a ele que ia namorar comigo?

– Eu não contei. Tomei essa decisão mas ele não pode saber disso.

– Mas e se eu fosse na sua casa pedir a ele...?

– Acredite em mim, ele não aceitaria de jeito nenhum. Quando eu estava na 7ª série eu gostava de um garoto e ele acabou descobrindo. Sabe o que ele disse?

– Não, o que?

– Ele disse que se eu começasse a namorar esse garoto, ele faria uma coisa com aquele menino que ele teria medo de encontrar comigo no corredor da escola. – Ela omitiu a parte em que Joseph havia comprado uma arma no dia seguinte. Se virou de frente para Adam e começou a falar novamente – Se você fosse lá em casa pedir isso a ele, provavelmente ele te espancaria ou poderia fazer algo pior e no dia seguinte me obrigaria a mudar para outra cidade com ele. Eu não quero que você se machuque por minha causa. – Ela estava acariciando o rosto dele e o olhando com esperança.

– Está bem. – Ele beijou a mão dela. – Então, nós vamos namorar escondidos? – Deu um sorriso.

– É. – Ela sorriu, lhe deu um leve beijo e se virou para frente novamente.

Ele a abraçou e disse:

– Contanto que você esteja comigo, para mim está ótimo. Mas nós não vamos nos ver pouco? Já sei, nós podemos nos ver todos os dias depois da escola.

– Não vamos enjoar um do outro rápido?

– Acho que não.

– Nós teremos de ser bem criativos. – Ela deu ênfase ao “bem”.

– Ah! Lembrei de uma coisa. Não vou poder te ver amanhã, tem umas coisas da faculdade para resolver.

– Tudo bem.

Eles ficaram em silêncio, enquanto Adam acariciava as mãos de Eve. Ele disse:

– As sua mãos são tão macias, parecem até almofadas. – Essa frase fez ela dar uma gargalhada. – É sério, você nunca reparou nisso.

– Não. – Ela disse ainda com um sorriso. – Podem ser macias, mas tem muitas marcas. Olhe, parece até que eu trabalhei numa lavoura. E os meus dedos são curtinhos.

– Você pode dizer o que quiser, eu adoro as suas mãos, são lindas. Você não gosta delas? Olha para as minhas, se serve de consolo.

– Adam suas mãos não são feias, deixe-me ver. – Ela se sentou de frente para ele. – São até muito bonitas para um homem, olhe. – Ela mostrava a mão dele como se fosse um produto à venda.

Ele estava rindo. Resolveu entrar na brincadeira e disse com um sorriso:

– Está bem, eu compro. Quanto custam as mãos do Adam?

– Para você, – ela fez uma cara de pensativa – apenas 299 beijos.

– Eu posso começar a pagá-las agora?

– Claro.

Adam começou a beijá-la e a contar. Um tempo depois, os dois caíram deitados na grama rindo.

– Aquelas crianças ali devem estar pensando “quem são aqueles dois malucos?” – Ela disse ainda rindo.

– Que crianças? – Perguntou ele enquanto a ajudava a levantar.

– Aquelas nos... Onde estão as crianças? – Ela se assustou ao ver os brinquedos vazios. – Que horas são? 17:30! Precisamos ir embora.

– Posso carregar sua mochila agora? Lembre, suas costa. – Ele disse já com a mochila na mão.

Ela ia dizer não, mas achou que ele tinha razão, suas costas ainda estavam doendo, então aceitou. Eles conversaram durante o caminho, perceberam que tinham mais em comum do que imaginavam: gostavam de ouvir música alta, adoravam filmes infantis e de terror e odiavam certas matérias da escola. Quando chegaram a casa de Adam ele disse:

– Sabe, normalmente é o cara que leva a garota para casa.

– É, mas o nosso namoro não é exatamente o que chamam de normal. É melhor eu ir logo, Joseph não chegará tarde hoje.

– Está bem. – Ele encostou levemente seu lábios nos dela e devolveu sua mochila. – Ah! Sábado, 15 horas.

– Você acha que eu esqueceria? – Ela sorriu. – Tchau.

– Tchau.

Adam esperou Eve não estar mais ao alcance de sua visão para entrar. Antes de subir para o quarto, passou na cozinha para avisar a sua mãe que havia chegado.

– Oi mãe, cheguei. O que vamos jantar?

– Oi, onde esteve o dia todo? Pensei que fosse sair mais cedo da faculdade.

– Eu saí, mas eu fui resolver uns assuntos pendentes.

– Assuntos pendentes? – Ela ficou preocupada por ele não dizer exatamente o que era.

Ele apontou para o lado esquerdo do peito, olhando para baixo. Estava um pouco sem jeito de dizer isso para a mãe.

– Ela não é como Stacy, é? – A Sra. Williams sorria.

– Não, ela é completamente diferente. Ela é tão... – Adam ficou olhando para o vazio pensando em Eve.

– Quando vai nos apresentá-la?

– Ah, sábado, ela vem aprender piano comigo.

– Você está namorando uma aluna?

– Mãe, ela tem 17 anos e eu não trabalho na escola dela. Nós temos quase a mesma idade e...

– Está bem, eu vou parar de perturbá-lo com isso. Pode subir, quando o jantar estiver pronto eu chamo você. – Ela deu um beijo no rosto do filho e ele subiu.

Quando Eve chegou em casa deixou a mochila no quarto e foi fazer o jantar. Depois de jantar e lavar a louça, subiu para o quarto para escrever no diário, felizmente Joseph não percebeu sua anormal felicidade. Escreveu tudo o que aconteceu desde que saiu do prédio da escola. Depois fez o dever de casa e escovou os dentes antes de dormir.

No dia seguinte, Adam foi para a faculdade, mas seus pensamentos estavam em Eve. Teve um pouco de dificuldade para se concentrar no trabalho que estava fazendo com os colegas de turma, mas conseguiu fazê-lo.

Antes mesmo da primeira aula começar, Helena e Alex já estavam querendo saber como foi o dia anterior de Eve. Ela achou engraçado o entusiásmo de Alex ao perguntar, era como se ele fosse uma menina numa roda de fofocas, mas depois lembrou que ele também era amigo de Adam e devia querer que os dois se dessem o melhor possível. Mas assim que ela começou a falar o sinal tocou.

Alex e Eve tinham a primeira aula de sexta-feira juntos, Helena ficou com inveja porque o namorado saberia antes dela o que aconteceu no dia anterior com a amiga. Eve contou a Alex durante a aula como foi o dia com Adam. Ele se surpreendeu quando ela disse que Adam havia desenhado um coração numa árvore.

– Não sabia que Adam fazia esse tipo, romântico.

– Pois é, nem eu. É bom saber disso.

– Helena vai dizer que ele é gay quando você contar isso à ela.

Eve segurou a risada, do contrário a sala inteira saberia que eles estavam conversando.

– Ela não vai dizer isso.

– Vai sim, você sabe que ela não faz o tipo romântica, por isso nós dois nos damos muito bem. Eu não sou aquele cara que compra flores e bombons.

– Eu sei... Mas acho que ela não vai dizer que o Adam é gay.

– Pode apostar que vai. – Alex sorria.

Ela continuou a contar como foi o resto do dia para ele. Depois os três se encontraram no intervalo e Eve contou a Helena como foi o dia de ontem. Alex tinha razão, quando Eve contou sobre o coração na árvore imediatamente Helena disse que Adam era gay. Alex não conseguiu conter o riso, ouvi-la dizer isso era mais engraçado do que imaginar. Eve riu também. Quando ela contou sobre a brincadeira com as mãos de Adam, Helena disse com um sorriso malicioso:

– Hum... As brincadeirinhas já começaram. Não vai demorar muito para começarem as brincadeiras maliciosas também.

– Helena, só você para pensar nisso. – Eve fez uma cara de quem não gostou muito da brincadeira.

– Só estou sendo realista. Adam é um homem, e que homem, – ela cobriu o lado direito da boca para que Alex não escutasse – e você é uma mulher atraente para ele.

– Ele nunca disse isso.

– E precisa? Aquele beijo de ontem já disse tudo. Mas foi só um comentário, achei que você soubesse que essas brincadeiras vão acontecer.

Helena tinha razão, apesar de Eve ficar um pouco assustada com essa ideia. Ela não tinha medo das brincadeiras maliciosas e sim ao que a brincadeiras poderiam levar. Eve ainda não estava pronta para sua primeira vez, mesmo com Adam ao seu lado. Antes que ela pudesse comentar sobre isso com Helena, o sinal tocou e cada um deles foi para sua respectiva aula.

Ao chegar em casa Eve não teve nada de diferente em sua rotina. Já Adam, ao invés de subir para o quarto como sempre, ficou na sala de estar lendo umas revistas sobre uns programas de computador que lhe interessavam, trazidas pelo seu pai.

Na manhã seguinte, depois do café da manhã, ele arrumou o quarto que estava bem bagunçado, isso porque haviam três semanas que ele não arrumava. Sua mãe sempre dizia que ele deveria arrumá-lo toda semana, pela facilidade que ele tinha para bagunçar.

Em casa, Eve teve a rotina de todo sábado: tomar café, limpar a casa e fazer o almoço. Depois disso viu um pouco de televisão e foi se arrumar para ir a casa de Adam. O tempo estava normal, não estava calor mas havia Sol. Ela escolheu uma blusa clara de manga curta, um jeans não muito escuro e pôs o perfume de frutas vermelhas. Em seguida foi para a casa do namorado.

Adam ouviu a campainha tocar e foi atender. Os dois se cumprimentaram com um leve beijo e ele convidou ela a entrar.

– Pronta para a sua primeira aula oficial de piano. – Perguntou ele.

– Prontíssima. – Ela respondeu sorridente.

– Ótimo, mas antes eu queria que você conhecesse os meus pais.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aviso Importante aos Leitores

Oi gente,

Interrompendo os capítulos só para avisar que eu vou demorar um pouquinho mais para postar o capítulo 6, na verdade eu estou postando isso porque eu pensei que alguém fosse achar que a história acabava ali. xD

Mas não, ainda tem bastante coisa pela frente (eba!). Ah, sim! Eu vou adotar um novo método para escrever, indicado pelo meu conselheiro, Tales (hehe).

Então, continuem lendo e comentando, logo eu postarei o 6º capítulo.

Beijinho Doce!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Adam & Eve - Capítulo 5


Adam e Eve se assustaram e se viraram rapidamente para Stacy que disse:

– É com essa aí que você está me traindo?

– Adam, acho melhor eu ir – disse Eve se sentindo culpada. – Desculpe.

– Eve, espera.

Ela não ouviu, pegou a jaqueta e foi correndo para casa. Adam ficou furioso com Stacy.

– O que você veio fazer aqui? – Perguntou ele.

– Eu é que pergunto, o que ela estava fazendo aqui beijando o meu namorado? – Disse ela.

– Eu já disse Stacy, acabou!

– Não acabou, o namoro só termina quando eu quero!

– Deixa de ser mimada! Você não faz mais parte da minha vida!

– Você está me trocando por aquela idiota?

– Não fale dela assim, eu a amo.

– O que você viu nela? O que ela tem de mais?

– Muitas coisas, mas eu não quero discutir isso com você. Vá embora. – Disse Adam com a expressão mais séria do mundo.

– Daqui eu não saio! – Disse Stacy se aproximando dele.

– Você sai ou eu chamo a polícia e denuncio você por invasão de domicílio – ele disse ainda sério.

Ela abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas se calou antes mesmo de começar a falar. Em seguida disse:

– Eu vou, mas não vai ficar assim. Eu vou acabar com isso tudo! – Disse ela com ódio nos olhos e saiu em direção a porta.

Ao ouvir o barulho da porta se fechando, Adam suspirou e caiu sentado no sofá. Ele não conseguia acreditar que Stacy estragou um dos melhores momentos da vida dele. Mas ele começou a pensar no que aconteceu antes, ele conseguiu beijar Eve, logo ela sabia que ele gostava dela. Ele pensou em passar na escola dela na segunda-feira para conversar. Depois ficou pensando no beijo dela e no perfume.

Quando Eve chegou em casa foi direto para o quarto, só então conseguiu pensar em alguma coisa. Fechou a porta do quarto e se sentou de costas para ela. Primeiro ficou tão feliz ao ponto de sorrir de olhos fechados, curtiu o momento, pôs as mão no peito e sentiu o coração bater rapidamente. Depois se lembrou de Stacy, tirou os sapatos, jogou-os contra a parede em frente e fez uma cara feia. Andou um pouco pelo quarto, tirou a jaqueta, se jogou na cama e abriu os braços, sorrindo. Em seguida agarrou o travesseiro e repetiu várias vezes “ele me beijou”.

Lembrou-se de escrever no diário, levantou, pegou ele e uma caneta e começou a escrever:

Acabei de chegar da aula de piano, na verdade eu não tive aula de piano hoje. Calma, eu vou dizer o que aconteceu. Foi assim (...)

Ela escreveu detalhadamente o que aconteceu desde que se vestiu. Quando estava escrevendo sobre o quão linda era a sala em que estavam, se prendeu a detalhar o momento em que viu as flores:

Fiquei mais impressionada quando vi um jarro de rosas vermelhas. Adam me contou que foi o pai dele que as dera a sua mãe. Aquelas flores deixaram o clima romântico, mesmo que não fossem para mim. Ele perguntou se eu queria tirar a jaqueta já que não estava frio lá dentro, eu tirei e acho que ele percebeu que o clima esquentou um pouco e decidiu começar logo a aula (...)

Descreveu também exatamente o que sentiu quando Adam tocou a música que ela pediu:

Surpreendi-me de novo quando ele disse que era linda, ele a conhecia. Quando ele começou a tocar (oh meu Deus) eu quase morri de tanta felicidade. Ouvir a música que eu mais gosto sendo tocada para mim pelo homem que eu amo, foi o momento mais feliz da minha vida! (...)

E continuou escrevendo até a última coisa que lhe aconteceu até sair correndo da casa de Adam. Ao terminar de escrever, ela olhou para o relógio e se assustou ao ver que já estava quase na hora de fazer o jantar. Desceu correndo e foi fazer-lo, fez a primeira coisa que viu quando abriu a geladeira. Depois subiu para trocar de roupa antes que Joseph chegasse.

O domingo não teve nenhuma novidade, Eve ficou o dia inteiro arrumando o quarto e ouvindo música. Adam não parava de pensar nela, decidiu faltar a faculdade para vê-la na escola no dia seguinte.

Na segunda-feira Eve foi para a escola muito feliz. Helena percebeu isso e resolveu perguntar no intervalo:

– Conta, o que aconteceu no fim de semana? Uma simples aula de piano não deixaria você assim tão radiante. – Disse ela com um sorriso malicioso.

– Se eu disser você não vai acreditar, mas ele me beijou. – Disse Eve sorrindo.

– O quê? Como assim? Conte-me isso direito!

– Olha, lê desde o começo que você vai entender. – Eve deu o diário a Helena.

Ela demorou um pouco, Eve havia escrito muito naquele sábado, mas assim que terminou ela disse:

– Ai... meu... Deus! Ele beijou você mesmo?

Eve balançou a cabeça em afirmação, Helena abriu um sorriso de orelha a orelha e deu-lhe um abraço.

– Parabéns! Estou tão feliz por você! E vocês já estão namorando?

– Não exatamente – disse Eve olhando para baixo. – Bem, ele não pediu... mas eu vou falar com ele sobre isso no próximo sábado.

– Próximo sábado? Eve, ele te beijou e não foi um beijo simples, foi um beijão, pelo o que está escrito aqui – disse Helena apontando para o diário. – Você tem de falar com ele hoje.

– Mas hoje? Eu nem sei se ele já vai ter voltado da faculdade quando eu chegar na casa dele. Ele pode está ocupado. – Ela tinha medo de ser inconveniente.

– Se ele te beijou é porque quer ter alguma coisa com você, acho melhor você não perder tempo. – Helena era uma ótima conselheira, mas Eve sempre tinha medo de fazer alguma coisa quando estava relacionada a Adam.

– Está bem, até a hora da saída eu resolvo o que vou fazer.

– Oi meninas. Novidades do fim de semana? – Alex havia chegado e deu um beijo em Helena após terminar a frase.

– Eve estava me contando o que aconteceu na aula de piano. – Disse Helena.

– Ah, e como foi? – Perguntou ele.

Helena contou a Alex detalhe por detalhe, com a ajuda de Eve. Ele ficou feliz em saber que Adam já havia demonstrado que gostava de Eve. O sinal tocou logo após eles terminarem de falar sobre o fim de semana.

Na hora da saída, antes do sinal tocar, Adam já estava ao lado de uma das macieiras da escola esperando Eve sair. Ele viu ela, Helena e Alex saírem juntos da escola e ficarem parados conversando em frente a porta. Eles conversaram durante alguns minutos, enquanto isso os outros alunos iam embora e o gramado ficava vazio. Quando Eve olhou para a macieira viu Adam de azul e com o cabelo parecendo despenteado como sempre. Ele percebeu que os amigos haviam o visto, acenou e os três vieram até ele.

– Oi. – Disseram os quatro ao mesmo tempo.

– Você não devia estar na faculdade? – Perguntou Eve preocupada.

– Eu resolvi faltar, precisava falar com você. – Respondeu ele.

– Bom, nós precisamos ir, não é Alex? – Disse Helena dando uma cotovelada no namorado.

– É, verdade. Nós nos falamos depois. Tchau Adam, tchau Eve.

– Tchau Adam, tchau amiga. – Disse Helena dando um beijo no rosto de Eve.

– Tchau – responderam Adam e Eve acenando.

Passaram alguns segundos enquanto eles observavam Alex e Helena irem embora até Adam falar:

– Por que você foi embora no sábado?

– Achei que você e Stacy precisavam ficar a sós para discutir.

– Ela não quer aceitar o fim do relacionamento, mas eu não vou ceder... – disse ele olhando para frente. Fez uma pausa, depois falou – que bom que foi por isso, pensei que você não tivesse gostado do beijo. – Ele sorriu maliciosamente.

Ela sorriu, umedeceu os lábios e disse:

– Eu gostei, foi inesperado, mas eu gostei.

– Então, você aceita?

– O que?

– Ser minha namorada?

Ao ouvir essas palavras Eve congelou, mas não foi por felicidade. Assim que Adam terminou a frase ela automaticamente pensou no que nunca imaginou em nenhum dia após aquele beijo. Ela estava tão feliz que se esqueceu da realidade, não podia ficar com ele, não sabia até que ponto Joseph iria se descobrisse, então começou a falar vagarosamente:

– Eu não sei, queria poder dizer sim, mas é complicado.

– Por que seria complicado dizer uma resposta tão simples? – Disse Adam observando o cabelo dela balançar com o vento.

– É uma longa história. Aconteceram umas coisas com a minha mãe no passado e, por essas coisas, meu padrasto não quer que eu tenha nenhum namorado. – Ela fez uma pausa, Adam não disse nada enquanto isso, apenas a olhou com uma expressão triste. Então Eve voltou a falar. – Tudo que eu mais queria era ouvir você dizer isso a mim, mas eu não posso aceitar, não quero fazer você entrar nesse jogo de esconde-esconde que é a minha vida. – Eve olhava para baixo, estava quase chorando.

Ele acariciou o rosto dela. Ela fechou os olhos com força, segurou o braço dele e vagarosamente tirou a mão dele de seu rosto.

– Por favor não falte mais a faculdade por minha causa... Eu sinto em dizer, mas não podemos ficar juntos. – Eve disse ainda olhando para baixo com uma expressão cada vez mais triste.

Ela começou a andar em direção a sua casa. Após poucos passos as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Adam observou tristemente Eve ir para casa, ele não conseguia acreditar que houvessem tantos impedimentos na sua vida, mas não pretendia desistir.

Ao chegar em casa Eve subiu a escada correndo, queria afundar nos travesseiros até que sua vida mudasse e pudesse ficar com Adam. Largou a mochila no chão do quarto, se jogou na cama e pressionou o travesseiro contra seu rosto, numa tentativa desesperada de que as lágrimas cessassem. Quando percebeu que não conseguia respirar se sentou na cama com o tavesseiro no colo, mas as lágrimas continuavam a escorrer. Começou a pensar no quanto a felicidade pelo beijo havia lhe cegado. Se Joseph descobrisse o que faria a ela? Ou pior, o que faria a Adam? Não queria que nada acontecesse a ele por sua causa. Por isso, por mais que doesse, ela não podia ficar com Adam, mesmo sabendo que ele a ama também.

Pegou o diário e começou a escrever o que estava pensando. Quando suas lágrimas secaram seus sentimentos haviam passado de tristeza para raiva. Raiva de Joseph, da vida, de si mesma e do maldito culpado que fosse por ela não poder ficar com Adam. Então escreveu:

Droga de vida. Por que minha mãe era uma prostituta? Por que meu pai não é meu pai? Por que ele não deixa eu viver a minha vida? Por que eu e Adam nos amamos se não podemos ficar juntos? Por quê?!?!

Será que algum dia nós poderemos ser felizes?

Após escrever esta frase Eve se sentiu completamente vazia, como se a dor tivesse acabado com todas as outras emoções. Deitou-se com o rosto virado para o teto e o contemplou durante um longo tempo, não sentia vontade de fazer nada. Percebeu que estava na hora do jantar, desceu e foi fazê-lo. Fez tudo automaticamente, desde cumprimentar Joseph até escovar os dentes antes de dormir.

Nos dois dias seguintes continuou fazendo tudo automaticamente, como um robô. Mal conversou com Helena, apenas explicou o que aconteceu e lhe mostrou o diário. Helena tentou convencer a amiga de que estava errada, mas percebeu que ela estava deprimida demais para entender, então resolveu não voltar a tocar no assunto esta semana. Adam não apareceu nesses dois dias. Eve estava resignada, era melhor assim, seria horrível ter de lutar contra seus sentimentos de novo.

Mas na noite do segundo dia ela teve um sonho: havia acabado de entrar numa igreja, ela era linda por si só, mas estava ainda mais bonita com a decoração floral e com a luz que transpassava os vitrais nas janelas. Era um casamento, ela nunca tinha ido a um, queria assisti-lo, então andou até o primeiro banco no corredor entre os bancos de madeira e os vitrais do lado esquerdo. Ficou em pé ao lado dele olhando os noivos, não dava para ver direito os rostos deles, mas ela continuou a observar. Aparentemente ninguém na igreja havia notado a sua presença, até que alguns segundos depois o noivo olha diretamente para ela e ela não consegue acreditar no que vê. Era Adam, ele a olhava com uma expressão triste. Ela olhou bem para a noiva e percebeu que era Stacy. Eve estava pronta para ir até Adam e dizer que o amava, mas antes que ela desse o primeiro passo o ouviu dizer apenas uma coisa, “Sim”. Não podia acreditar ele havia acabado de se casar com Stacy e ao mesmo tempo que pensou isso deu dois passos e percebeu que havia acabado de cair não chão do seu quarto.

Ela se levantou com a mão no ombro dolorido e sentou-se na cama. Lembrou-se do sonho perfeitamente e começou a pensar:

Ainda bem que foi um sonho. Mas e se fosse verdade? Eu não posso deixar Adam ser infeliz sabendo que ele me ama e eu também não posso deixar minha felicidade ir embora assim. Eu quero ter uma boa convivência com Joseph, mas eu não posso deixar-lo estragar a minha vida! Helena tinha razão. Onde estava o meu amor próprio quando eu disse aquilo a Adam? Isso não é justo para mim, muito menos para ele. Onde eu estava com a cabeça? Eu vou falar com ele depois da escola. Chega de me esconder da felicidade.

Ela olhou para o relógio, faltavam dezessete minutos para ele despertar, ela levantou e foi tomar banho. Quando terminou o café, seu padrasto já havia ido trabalhar, ela pegou a mochila e foi para a escola. Encontrou Helena na primeira aula, contou à amiga sobre o sonho e a decisão que tinha tomado, Helena ficou super feliz. No intervalo, ela escreveu seus pensamentos no diário. Na hora da saída, Alex e Helena estavam dando força a ela quando ela viu Adam andando de um lado para o outro perto da macieira.

Eve sorriu e foi andando até lá. Ela ficou parada de frete para ele, sorrindo com uma felicidade nos olhos que Adam não percebeu por estar concentrado no que diria a ela.

– Oi. – Disse ele um pouco atrapalhado. – Antes que você pergunte, eu não faltei a faculdade, saí mais cedo hoje. – Ele deu um pequeno sorriso. – Eu sei que você não quer ficar comigo por medo que seu padrasto descubra, mas... eu nunca me senti assim em toda minha vida... eu te amo e vc também me ama, então por que lutar contra isso? E...

– Adam, eu não quero mais lutar contra isso, – ela se se aproximou dele – eu quero ficar com você. – Ela deu-lhe um suave beijo.

Adam estava tão feliz que encostou Eve na macieira e tornou o beijo mais intenso. Não estava se importando com o que os outros pensariam se os vissem, queria curtir cada segundo desse momento. Ela teve os mesmos pensamentos que ele.